Cristo Redentor é iluminado de azul no Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
A iniciativa tem o intuito de reforçar a atenção da sociedade ao tema
Na noite desta última quarta-feira (30/07), o monumento ao Cristo Redentor foi iluminado com a cor azul em alusão ao Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A ação teve como objetivo chamar a atenção da sociedade para a gravidade desse crime e reforçar a importância da prevenção, do acolhimento às vítimas e da responsabilização dos envolvidos.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), por meio da Coordenadoria Regional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro e o próprio Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor.
A cerimônia reuniu representantes de instituições que atuam no combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas e teve como destaque a participação de trabalhadores que foram resgatados dessas práticas exploratórias e puderam compartilhar suas jornadas de luta e superação.
Estiveram presentes o diretor da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, Monsenhor Manuel Manangão; o subprocurador-geral do Trabalho, Fábio Leal, representando a Procuradoria-Geral do Trabalho; o procurador-chefe do MPT-RJ, Fabio Goulart Villela; o coordenador da Conaete Regional, procurador Thiago Gurjão; o superintendente da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), Alex Bolsas; o desembargador do Trabalho, José Luís Campos Xavier, representando o presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ); a presidenta da Associação dos Juízes do Trabalho (AJUTRA), Taciela Cordeiro Cylleno de Mesquita; a presidenta da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (AMATRA), Daniela Valle da Rocha Muller; o vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), Marcelo Crisanto Souto Maior, entre outras autoridades e parceiros.
Marinaldo Soares, ativista dos direitos humanos que foi resgatado de situação de trabalho análogo à escravidão no Maranhão, contou que hoje integra o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailandia e luta para que outras pessoas não sofram a mesma situação: “Eu fui vítima do trabalho escravo três vezes e hoje eu estou lutando para que não aconteça com outras pessoas. Tem muitas pessoas que falam que não existe trabalho escravo, mas eu sou uma prova que existe. Para isso deixar de acontecer, só se a gente lutar e achar apoio das autoridades e eu conto com o apoio de vocês para combater essa pouca vergonha”.
Também compartilharam suas histórias Wellington Santos da Silva, resgatado no Mato Grosso, e Madalena Gordiano da Costa, resgatada de trabalho doméstico análogo à escravidão em Patos de Minas.
Em sua fala, o procurador-chefe do MPT-RJ, Fabio Goulart Villela, ressaltou a importância do trabalho conjunto entre as instituições e também do pós-resgate. Ele reforçou que o compromisso do Brasil perante a comunidade internacional é erradicar essas violações, de modo que, no futuro, histórias como as compartilhadas no evento não precisem mais ser contadas.
Já o procurador do Trabalho Thiago Gurjão afirmou que o evento, em particular as falas dos trabalhadores, representa uma inspiração e uma oportunidade tanto para se reconhecer os avanços da política pública como para reforçar a necessidade de se fazer mais no combate a essa prática, na luta pelo resgate de pessoas ainda submetidas ao trabalho escravo e do tráfico de pessoas.
Ao final do evento, Jhonatan Torres Thiago, um dos trabalhadores atendidos pelo Projeto Ação Integrada (ProjAi), fez a leitura do poema de sua autoria “A importância do sentir”, onde une, em suas palavras, “a liberdade e o sentimento”. Para ele, ações como essa são fundamentais por oferecerem espaços de fala e de escuta. “A gente quase não tem lugar para falar sobre isso na sociedade. Esses eventos ajudam a dar sentido às nossas experiências, porque o que aconteceu com a gente não é algo distante. É a nossa realidade”, destacou.
Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
Instituído pela Assembleia Geral da ONU em 2013, a data tem como objetivo, conscientizar a sociedade civil, o governo, as autoridades, e os serviços públicos a avaliarem e aprimorarem seus esforços para fortalecer a prevenção, identificar e apoiar as vítimas e acabar com a impunidade dessa prática.
A cada ano, o tráfico de pessoas gera 32 bilhões de dólares em todo o mundo, segundo dados da ONU. Desse número expressivo, 85% são provenientes da exploração sexual, revelando a crueldade e a magnitude do sofrimento infligido a milhões de vítimas.
O MPT-RJ alerta que qualquer suspeita de tráfico de pessoas deve ser denunciada por meio dos canais oficiais, que incluem o Disque 100, o site Denúncias do MPT e o aplicativo MPT Pardal, disponível para Android e iOS.
